Histórico


Semana Racine – Congresso de Farmácia – Um Pouco de Sua História

A primeira edição deste congresso, inicialmente denominado Semana Racine de Atualização Técnica, vem à luz em julho de 1991 e o objetivo de sua criação foi contribuir com a atualização, a qualificação e o desenvolvimento dos farmacêuticos que atuavam nos setores de farmácias e drogarias, farmácias hospitalares, análises clínicas e nos setores industriais de produtos farmacêuticos e cosméticos. Era o início de uma década que se mostraria como das mais ricas e profícuas no diz respeito a mudanças e avanços na saúde e na profissão farmacêutica.

Vivíamos um momento pós Constituinte, o Sistema Único de Saúde (SUS) era recém criado, o conhecimento se democratizava e a tecnologia da informação e a biogenética descortinavam oportunidades a inúmeros setores, entre eles o setor farmacêutico. Estávamos no limiar de uma era que seria marcada pela ligação direta entre o diagnóstico e a terapêutica. Caminhavam de modo vertiginoso as pesquisas que viriam culminar com o seqüenciamento do genoma humano e que indicariam que sutis diferenças seriam suficientes para que os indivíduos reagissem de forma distinta em relação a um mesmo medicamento. Portanto, era claro que a atuação da medicina e da farmácia logo seria substituída por um modelo mais complexo, que exigiria desses profissionais sair do tradicional sistema binário para aprender a lidar com diversas probabilidades.

Neste mesmo momento, em que as questões da biogenética emergiam tão imperiosas, com igual peso víamos as transformações na sociedade: o envelhecimento populacional; o conforto gerado pela tecnologia; a facilidade de acesso à informação; o crescimento da mobilidade social, convivendo com o aprofundamento das desigualdades sociais; o estabelecer predominante de dois estilos de vida, o da escassez e o da abundância; o crescimento da violência e a deterioração da situação global ambiental; as quais, certamente, viriam a produzir novos indivíduos.

Assim, por entender os profundos avanços dos saberes, recursos, produtos e tecnologias, somados às diferentes condições de vida e riqueza entre os povos e às modificações de ordem social, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe que sejam discutidos os processos de formação dos profissionais da saúde em nível mundial, pois profissões existem para atender às necessidades da sociedade e isso significa que mudanças sociais resultarão, com certeza, em mudanças no desenho de seus processos de formação e na expressão de seus serviços.

Partindo do mesmo raciocínio, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) iniciam um debate sobre o papel da educação neste final de século e se mostrou evidente a necessidade de se articular o conhecimento, as habilidades e as atitudes dos indivíduos e buscar a interdisciplinaridade e o desenvolvimento do raciocínio crítico e da reflexão.

Nessa corrente de fatos, a profissão farmacêutica passaria por modificações na sua formação e na sua prática, condicionada por parâmetros tecnológicos, biológicos, humanísticos e éticos, que buscariam também incluir os aspectos políticos e sociais relacionados às mudanças nos sistemas e serviços de saúde e na implementação do SUS.

A efervescência dessas duas décadas, em que ininterruptamente a cada ano as Semanas Racine foram realizadas, nos permite entender a evolução de seu foco. No decorrer dos anos, com o envolvimento dos profissionais, das entidades da área, dos educadores, dos estudantes e das empresas dos setores envolvidos, o congresso estabeleceu-se como um espaço de discussão que contempla quase que toda a cadeia dos produtos e serviços para a saúde, sujeitos à vigilância sanitária. E, deste modo, nossa proposta, desde 2007, tem contemplado assuntos de relevante interesse para as áreas de Varejo Farmacêutico, Manipulação Magistral, Logística/Distribuição, Gestão da Farmácia Hospitalar, Saúde Coletiva, Farmacologia, Farmacoterapia, Toxicologia e Pesquisa Clínica.

Nosso compromisso, naqueles idos de 1991, foi criar um espaço em que os profissionais farmacêuticos pudessem conjugar o aprendizado à discussão política, à renovação das idéias, à construção de ideais e ao ampliar de sua visão de futuro. Como subproduto, estava também estabelecido um singular momento de convivência em que tem predominado o espírito coletivo e a inspiração para o progresso.

O expressivo contingente de mais de 20.000 profissionais, oriundos das 27 Unidades Federativas nacionais, que ao longo de 21 anos registraram suas presenças em uma ou mais edições das Semanas Racine, com vontade e esforço pessoal, criaram condições concretas para que a tradição deste congresso se estabelecesse.

Com todos e todas que têm colaborado com as Semanas Racine, seja como palestrante, congressista, monitor, convidado ou visitante, temos uma dívida moral pelo crédito a nós conferido e lhes asseguramos que as modestas dádivas de saúde e inteligência a nós concedidas estarão sempre a serviço da profissão farmacêutica, da sociedade – que depende de nossos serviços – e do Brasil, com o qual temos o compromisso de contribuir na construção da justiça social, que se faz por meio do acesso efetivo ao trabalho, à educação e à saúde.

Nilce Barbosa é farmacêutica e presidente do Instituto Racine


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